Pulseiras do sexo: o tesouro da pureza por um fio
quarta-feira, 31 março, 2010 às 15:19 | Publicado em Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | 6 ComentáriosTags: amor, castidade, estupro, matrimônio, pulseira do sexo, pulseiras, pulseiras do sexo, pureza, sexo, Sexualidade
Li no G1 que uma menina de 13 anos foi estuprada em Londrina após ter a “pulseira do sexo” arrancada. Movido pela curiosidade, fui ler a notícia a fim de saber que raios seria a tal pulseira.
Trata-se de uma “brincadeira” que, pelo que li, nesta e em outras reportagens sobre o assunto, está na moda. Consiste no uso de pulseiras de borracha de várias cores, e há uma convenção de que cada cor sugere um ato de conotação sexual que vai desde o abraço, beijo de língua, até mostrar os seios, sexo oral ou, até mesmo, a relação sexual completa. Se a pessoa tem uma de suas pulseiras arrebentada por alguém, é obrigada a pagar esse alguém com a “prenda”, que é o ato que a cor arrebentada simboliza.
A pergunta que não quer calar: o que leva uma garota na flor de sua adolescência a desprezar sua própria sexualidade – dom tão valioso, verdadeiro tesouro recebido do Criador – ao ponto de colocá-la à disposição por um fio, pelo preço do arrebentar de uma pulseira de boracha?
Há em nossa cultura uma necessidade extrema de que se redescubra o valor da sexualidade. Neste mundo hedonista, a maioria das pessoas – principalmente adolescentes – cai no conto da sereia dos meios de comunicação em massa, e coloca sua sexualidade à disposição por um nada.
A sexualidade é um dom. Um tesouro precioso. Uma pérola que Deus colocou em nós como se fôssemos ostras em forma humana. O que os adolescentes que usam tais pulseiras perderam, ou nunca receberam, foi o senso de que o sexo, sem amor, não passa de uso de pessoas como se fossem algo descartável. O Venerável João Paulo II já dizia que o contrário de amar é usar. Trata-se de uma completa inversão de valores, onde a pessoa vale o que ela tem pra oferecer. A pessoa perde toda a dignidade e o valor intrínseco do “ser pessoa”, imagem e semelhança do Criador.
A moda dessas pulseiras está diretamente relacionada a esta dissociação entre a afetividade e a sexualidade, incentivada pelos meios de comunicação, pelas revistas, etc. A educação humana, principalmente dos adolescentes e jovens, deve ser baseada na construção da sexualidade sempre concomitante e dependente da afetividade. Sexo é ingrediente do amor, e não vice-versa. O verdadeiro amor passa pela liberdade (eu te amo porque quero te amar, não porque arrebentaste minha pulseira de borracha), totalidade (eu me entrego pra você por inteiro(a) e por toda a minha vida), fidelidade (eu sou teu/tua, e ninguém mais poderá ter a mim, ainda que me arrebente uma pulseira), e fecundidade (estamos livres e preparados para assumir as conseqüências do nosso amor). E só há um lugar ou situação onde todas essas exigências do amor podem ser assumidas e vividas: o Matrimônio.
É justamente por isso que a Igreja, especialmente na pessoa do Santo Padre, está tão precoupada com a educação para o matrimônio, que deve começar já desde a infância, na observância da vivência matrimonial dos pais, passando pela educação para o amor na condição da castidade durante a infância e a adolescência (preparação remota), partindo depois para a constante busca da santidade e da castidade e pureza ao longo do caminho do noivado (preparação próxima), culminando na compreensão do significado esponsal do corpo e da missão profética dos casais cristãos em refletir o amor livre, total, fiel e fecundo de Deus aqui na terra (preparação imediata).
A vivência da sexualidade seguindo os ensinamentos da Igreja, Mater et Magistra (Mãe e Mestra) em matéria de moral, é a única forma de orientar sua própria sexualidade para uma felicidade plena.
Que nós sejamos profetas desta boa nova para nossas crianças e adolescentes, e saibamos educá-las (e educar-nos a nós mesmos) para o Amor, por uma sociedade mais sadia onde reine Cristo nos corações, e em lugar das pulseiras de conotação sexual, se usem escapulários de devoção e alianças que simbolizem o verdadeiro Amor.
Paz e Bem!
Curtas e tristes
sexta-feira, 5 março, 2010 às 11:38 | Publicado em Moral e Sexualidade | Deixe um comentárioTags: aids, ateísmo, Bíblia, camisinha, condom, crianças, infantil, menores, pornografia, preservativo, sexo, Sexualidade
- Li na Fox News: “Camisinhas ‘extra-P’ para meninos de 12 anos são colocadas à venda” – A notícia diz que a fabricante suíça resolveu produzir o tamanho extra-P motivada pela campanha de vários grupos de planejamento familiar associados à Swiss AIDS Federation. Tristes tempos esses em que anda praticamente impossível preservar nossas crianças da decadência moral e do relativismo que nos são impostos, às vezes com a contribuição ativa do próprio Estado e dos meios de comunicação sociais, como é o caso do Brasil.
- Li no Boing Boing: “Ateístas oferecem pornografia grátis em troca de bíblias em Campus universitário” – Isto ocorre na San Antonio University, no Texas. Os organizadores da “campanha” alegam que a Bíblia, assim como a pornografia, é cheia de “sujeira”, então a troca é justa. Os ateus não demonstram muita coragem quando escolhem o cristianismo como alvo. Sabem que não serão respondidos na mesma moeda, apesar de que eles não parecem ter qualquer moral a ser ferida. Mas confesso que fico curioso pra saber o que aconteceria se, ao invés de Bíblias, anunciassem que aceitam o Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos).
Miserere nobis, Domine!
Estudos mostram como a pornografia aprisiona o homem
segunda-feira, 22 fevereiro, 2010 às 11:05 | Publicado em Moral e Sexualidade | 1 ComentárioTags: amor, ciência, efeitos da pornografia, homem, luxúria, masculino, matrimônio, pesquisa, pornografia, psicologia, sexo, Sexualidade, vício
Duas recentes pesquisas científicas mostram os efeitos negativos da pornografia.
William M. Struthers, psicólogo com formação em neurociência e especialista nas bases biológicas do comportamento humano, explica por quê os homens e meninos se sentem tão atraídos pela pornografia, quando o mesmo não acontece com mulheres. Ele mostra também como a pornografia consegue “seqüestrar” o cérebro masculino, influenciando até mesmo em seu comportamento.
«Os homens parecem ter sido feitos de tal maneira que a pornografia seqüestra o funcionamento adequado de seus cérebros e tem efeito de longo prazo em seus pensamentos e vidas.» — William M. Struthers, psicólogo
Um segundo estudo mostra os impactos da pornografia na família, no matrimônio e até nos adolescentes. Os efeitos psicológicos da pornografia no matrimônio e na auto-estima das esposas, e as conseqüências, na vida adulta, do consumo de pornografia na adolescência. O estudo foi realizado por Patrick F. Fagan, membro e diretor do Centro de Investigação Sobre o Matrimônio e a Religião, e publicado pela Family Research Council.
A ciência, mais uma vez, confirma o que a Igreja, Mãe e Mestra, sempre ensinou.
Leia as reportagens sobre estas duas pesquisas:
“Papa tem razão: Aids não se detém com o preservativo”
terça-feira, 13 outubro, 2009 às 9:31 | Publicado em Moral e Sexualidade | Deixe um comentárioTags: aids, Bento XVI, camisinha, Cesare Cavoni, ciência, condom, HIV, Igreja, Papa, preservativo, Renzo Puccetti, sexo, Sexualidade, SIDA
“Papa tem razão: Aids não se detém com o preservativo”
Entrevista aos doutores Renzo Puccetti e Cesare Cavoni
Por Antonio Gaspari
ROMA, quarta-feira, 7 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Suscitaram polêmica as declarações do cardeal de Gana, Peter Kodwo Appiah Turkson, a respeito do uso do preservativo entre um casal no qual um dos dois tem Aids.
Respondendo às perguntas de um jornalista, o relator geral do Sínodo dos Bispos para a África explicou que é mais eficaz investir em fármacos antirretrovirais que em preservativos para conter a propagação da Aids.
A resposta reabriu o debate sobre o uso dos preservativos como técnica para combater a expansão do HIV.
Sobre a questão já se havia expressado o Papa Bento XVI e se desencadeou uma tormenta nos meios de comunicação.
Para tentar compreender quais são os argumentos que subjazem ao debate e que parecem implicar tantos interesses, ZENIT entrevistou os doutores Renzo Puccetti e Cesare Cavoni, o primeiro médico e o outro professor de Bioética e jornalista de Sat2000, condutor do programa “2030 entre ciência e consciência”, que acabam de entregar ao editor o livro em italiano Il Papa ha ragione! L’Aids non se ferma con il condom (Fede & Cultura).
– O que pensam das declarações do cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson com respeito ao uso de preservativo?
– Puccetti: Ao ler os jornais, fiquei surpreso, mas logo li a transcrição da intervenção do cardeal e então compreendi que se tratava de mais um caso de distorção da mensagem. O cardeal, em primeiro lugar, não se deteve em uma avaliação moral da questão; ao mesmo tempo, através de suas declarações, não se afastou para nada do constante ensinamento moral da Igreja.
O cardeal reconhece, como é lógico, que junto aos fármacos antirretrovirais, o uso do preservativo se opõe à propagação da Aids nos casos em que não se recorre à abstinência e à fidelidade. Está-se falando portanto de tudo que teoricamente pode ser utilizado.
O cardeal fala da experiência dos centros de saúde de Gana e da Igreja Católica, segundo os quais nas famílias nas quais se propôs o preservativo, este funcionou só se estavam decididas a manter a fidelidade. O cardeal recordou que, também no caso de pessoas sorodiscordantes, o recurso ao preservativo é fonte de uma falsa segurança, agravada pelo fato de confiar em uma manufatura.
Quando o presidente de Uganda deu luz verde à estratégia ABC (Abstinence, Be faithful, Condom) que se revelou muito eficaz em combater a epidemia da Aids e que logo foi tomada como modelo com igual êxito em outros países africanos, dizia coisas bastante similares ao que disse o cardeal: a vida não pode ser colocada em jogo confiando-a a uma fina capa de látex.
– Mas o preservativo serve ou não para deter a Aids?
– Puccetti: Não é fácil responder de forma taxativa, mas se tenho que dizer se o preservativo serve para deter a Aids nas epidemias generalizadas, a resposta que posso dar segundo o corpo de conhecimentos científicos disponíveis é “não”.
Para que pudesse funcionar, o homem deveria ser não muito diferente que um rato em uma jaula à qual antes de cada cópula alguém dosa o preservativo. Nesse caso, o preservativo poderia ser útil.
Mas como o homem não é um rato, não vive em jaulas e não há profissionais dispostos a dosar-lhe o preservativo, não há que surpreender-se de que a eficácia teórica não aconteça na vida real.
– Por que decidiram escrever um livro sobre este tema?
– Cavoni: Este livro nasce de uma triste constatação, a de que com frequência a informação fala de fatos que não conhece e, também, os deforma. É o que aconteceu durante a primeira visita do Papa à África em março deste ano.
O livro nasce desta tristeza e, também, da raiva de ver pisoteados os princípios fundamentais de uma correta informação. Ao mesmo tempo, parecia-nos necessário dar a conhecer ao público os fatos assim como sucederam e, de algum modo, abrir os olhos da opinião pública, de modo que não tome como ouro fino torpes instrumentalizações, perpetradas por motivos ideológicos, por superficialidades, ou por ambos fatores.
– Quais os argumentos para dizer que o Papa tinha razão?
– Puccetti: O livro está articulado em duas partes. Na primeira, reconstruiu-se com fidelidade absoluta o trabalho de descrição das declarações do Santo Padre; da leitura do livro se faz sumamente evidente a progressiva distorção da mensagem realizada com adendos, omissões, substituições. Logo, transcrevemos, como fazem vocês com as do cardeal Turkson, as palavras exatas do Papa ao jornalista francês que fez a pergunta sobre o preservativo. Na segunda parte do livro, resumimos o melhor que pudemos o panorama de conhecimento oferecido pela literatura científica internacional enquanto a aplicação clínica da prevenção mediante a promoção do uso do preservativo.
Dedicamos especial atenção aos números, porque consideramos que podem ser uma base de discussão compartilhada à margem da orientação religiosa.
Quando um interlocutor meu se mostra surpreso se declarações de eminentes cientistas confirmam o que diz o Papa, não posso senão deduzir disso o escasso conhecimento dos dados que no curso dos anos se sedimentaram e da amplitude das vozes que, em revistas internacionais como The Lancet ou o British Medical Journal, replicaram aos editoriais daquelas mesmas revistas.
– Por que tanto clamor pelas palavras do Papa e como se produziu a desinformação?
– Cavoni: Todos os maiores jornais nacionais e internacionais se lançaram, direta ou indiretamente, contra o pontífice, réu de ter dito que os preservativos não resolvem os problemas da África e sim, os agravam. As críticas se acentuaram logo no momento em que chegaram as observações, mais ferozes, por parte de vários expoentes de governos europeus e inclusive a resolução do Parlamento belga que pedia ao Papa que desmentisse o afirmado.
A questão é que quem toma posições tão fortes, se presume que saiba o que disse em verdade o Papa; e ao contrário não foi assim: todos falavam mas pouco haviam escutado. Tanto é assim que, em um segundo momento, muitos cientistas confirmaram os conceitos expressados por Bento XVI.
Temos de pensar que, para muitas pessoas, a primeira e única fonte de informação, ou de simples conhecimento da realidade circundante, está determinada por jornais e telejornais. Está vigente ainda, em suma, o clássico “foi dito no telejornal”, ou o “li no jornal”, e isto para confirmar a veracidade do que se soube.
Os meios de informação adquirem um princípio de autoridade potentíssimo. Se portanto as coisas, os fatos, as notícias apresentadas se baseiam em reconstruções parciais, o leitor receberá em presente uma leitura da realidade deformada, que não corresponde à verdade. Com esta técnica se pode inclusive criar uma realidade virtual paralela à real.
Se eu, devendo informar sobre as palavras do Papa, e comentá-las, não o escuto e não reproduzo corretamente, corro o risco de comentar algo que não se disse ou se disse de modo substancialmente diferente.
O problema das fontes jornalísticas, que devem ser acessíveis, etc, das que se fala tanto nestas semanas, não vale apenas, para as atas públicas das fiscalização, mas para o abc do jornalismo: ser testemunha de tudo o que se dispõe a descrever.
Não estamos falando de uma nebulosa objetividade, de imparcialidade; não, estamos falando do fato de que devo estar presente no cenário do fato que descrevo. E se isto não é possível, visto que no caso específico, não todos os jornalistas podem estar no séquito do pontífice, quando menos me permito voltar a escutar, palavra por palavra, o que de verdade disse o Papa e por que o disse.
Ao contrário, muitos se fiaram do que haviam ouvido dizer, de um primeiro texto, incorreto. O resto é história comum de desinformação.
Ideologia de Gênero, a imbecilidade da vez
sexta-feira, 3 julho, 2009 às 21:17 | Publicado em Feminilidade / Anti-Feminismo, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 4 ComentáriosTags: educação dos filhos, educação sexual, filhos, gênero, ideologia de gênero, papéis sexuais, papel sexual, sexo, Sexualidade
Leiam o que vai abaixo, extraído do blog Mulher 7 por 7, da revista Época. Comento depois:
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Pais não revelam sexo de sua criança de dois anos e meio (por Kátia Mello)
Alguns pais decidem não querer saber o sexo da criança durante a gestação. Esperam pela hora do parto para descobrirem se é um menino ou uma menina. Um casal de 24 anos na Suécia levou esta prática além dessa realidade. Eles se recusam a dizer o sexo de sua criança, que já tem dois anos e meio de idade. “Queremos que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”, disse a mãe. Pop (um nome fictício para proteção da criança) usa vestidos e também calças masculinas e seu cabelo muda do estilo feminino para o masculino a cada manhã. Apesar de Pop saber as diferenças entre um menino e uma menina, os pais se recusam a adotar pronomes para chamar a criança. A controversa atitude do casal gerou um intenso debate no país.
O jornal sueco que entrevistou os pais, The Local, conversou com a pediatra sueca Anna Nodenström do Instituto Karolinska sobre os efeitos a longo prazo no comportamento da criança. “Afetará a criança, mas é difícil de dizer se fará mal a ela”, diz a pediatra. “Não sei o que os pais querem com isso, mas certamente ela será diferente”, completou. Anna ainda afirmou que quando Pop entrar na escola, se seu gênero ainda for desconhecido, ela chamará muito a atenção dos coleguinhas.
A psicóloga canadense Susan Pinker autora do livro The Sexual Paradox, também entrevistada pelo jornal sueco, disse que será difícil manter incógnito o sexo da criança por muito mais tempo. “As crianças são curiosas sobre suas identidades e tendem a gravitar em torno das de mesmo sexo no começo da infância”.
Pop logo ganhará um irmãozinho ou irmãzinha, porque a mãe está grávida. Ela afirmou que irão revelar o gênero ”quando Pop quiser”.
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Eis o tipo de aberração à qual a tal “ideologia de gênero” dá origem.
A ideologia de gênero, loucura da vez entre os modernos, “descolados”, não é tão nova assim. Pra quem nunca ouviu falar, é fruto do pensamento marxista (saiba mais neste artigo do Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz). Fundamentalmente, ela diz que não existe um homem natural, nem uma mulher natural. O ser humano nasceria neutro, e a sociedade é que se encarregaria de determinar, ou “impor”, como preferem dizer seus defensores, os papéis de homem ou mulher ao indivíduo. Conforme fosse crescendo e se amadurecendo, o ser humano poderia “adotar” um gênero qualquer, independente de seu sexo biológico. A teoria da ideologia de gênero diz também que a atração heterossexual é muitas vezes “aprendida”, e não inata ao ser humano. Além disso, também diz que o instinto maternal não existe. É algo a que as mulhere são submetidas, uma imposição sócio-cultural.
É claro que um pensamento como este deve ser rechaçado com muito vigor, principalmente pelos cristãos, pois é uma profunda ameaça à família e até mesmo à própria humanidade, pois contraria o direito natural em seus fundamentos mais básicos!
Não é preciso ser nenhum profundo conhecedor da psicologia, ou antropologia, ou seja lá o que for, pra imaginar o dano que os pais da notícia acima estão causando à personalidade e ao caráter sexual de seu(ua) filho(a), na ânsia de protegê-lo(a). Ao invés de educar e conduzir seu(ua) filho(a) a uma descoberta saudável de sua verdadeira identidade sexual (aquela que Deus lhe concedeu, biológica e intelectualmente), os pais dessa criança a educam de forma que ela cresça acreditando que o papel sexual é optativo, que a sexualidade não tem nenhuma função vinculada à vida, que as relações de amor entre as pessoas não passa de uma busca egoísta por prazer, e que nada pode ser duradouro e verdadeiro.
A cada dia que passa o testemunho dos casais cristãos é mais e mais necessário. Devemos dar a nossa vida, se preciso for, para defender a ordem que Deus estabeleceu na criação do mundo. Que o homem assuma seu papel de homem e encontre, assim, sua liberdade. Que a mulher assuma seu papel de mulher e encontre, assim, sua liberdade, porque a verdade é que liberta (Jo 8,32). Já dizia Dom Bosco, se não me engano: “Ser livre não é fazer aquilo que se deseja. Ser livre é desejar aquilo que se deve fazer.”
Pax et Bonum!
Saiba mais:
- http://www.conelpapa.com/ideologia/ (em espanhol)
A mentalidade contraceptiva faz mal à família
terça-feira, 7 abril, 2009 às 23:30 | Publicado em Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | Deixe um comentárioTags: aborto, anticoncepcionais, anticoncepcional, casamento, contracepção, Família, moral, pílula, sexo, Sexualidade
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MercatorNet: Recentemente, você escreveu sobre a fertilização in vitro (FIV) e outras técnicas similares que separam o sexo da reprodução, sobre os problemas éticos e as profundas implicações para o homem que elas têm. Mas gostaria que voltássemos um pouco no tempo para tratar da primeira tecnologia a separar o sexo da reprodução – os contraceptivos, especialmente a pílula, um produto eficaz e produzido em massa. Esses dois desenvolvimentos tecnológicos do século XX estão relacionados? Podemos dizer que um levou ao outro?
Christopher Tollefsen: São como os dois lados da mesma moeda. A sexualidade e a procriação, quando unidas no casamento, são as duas facetas de um bem grande e realizador, e ambas aperfeiçoam a vida dos cônjuges. Ao mesmo tempo, trazem consigo responsabilidades significativas, como todos os bens: não nos é fácil para praticar a virtude da castidade, dentro e fora do matrimônio, nem estar abertos ao dom de uma nova vida como fruto natural do amor entre os esposos.
A pílula permite que nos livremos da carga que supõe a conexão da sexualidade tanto com o matrimônio como com os filhos. Teremos as crianças de acordo com as nossas regras agora – talvez num casamento, talvez não. E a conseqüência lógica disso é que a FIV nos permite controlar mais e melhor a procriação. Em alguns casos, a FIV constitui uma reposta compreensível, embora eu a julgue errada, à incapacidade de conceber de alguns casais. Acontece que cada vez mais tem sido usada para garantir que teremos os tipos de filhos que quisermos, filhos livres de alguma doença, por exemplo, ou dotados de certos atributos que outros não têm.
Infelizmente, tanto a contracepção como a reprodução assistida são hoje vistas não apenas como coisas aceitáveis, mas como obrigações morais. Em última análise, penso que o assunto tem a ver com a nossa recusa em aceitar qualquer coisa que escape totalmente ao nosso controle – não é atrativo encarar a vida humana e a sexualidade como dons, porque isso revelaria que não somos os autores integrais da nossa própria existência. E, tristemente, a nossa resposta ao sofrimento, mesmo o sofrimento da esterilidade, segue essa mesma linha. O sofrimento é inteiramente um mal e deve ser rejeitado precisamente por estar fora do nosso controle, por ser uma ameaça à nossa “divindade” (a nossa descrição do sofrimento como algo “gratuito” também traz o caráter de algo que não escolhemos). Mas o cristianismo sempre ofereceu uma resposta redentora para os nossos sofrimentos ao ligá-los com os sofrimentos de Alguém que, sendo Deus, assumiu a forma de escravo.
MercatorNet: Houve uma reação negativa generalizada, entre os católicos inclusive, quando o Papa Paulo VI publicou a sua encíclica sobre a vida humana – Humanae Vitae - em que explicava por que a contracepção (diferentemente da abstinência periódica) era inaceitável do ponto de vista teológico e mesmo do ponto de vista meramente humano. A reação foi surpreendente, pois havia então apenas uns dez anos que a pílula estava disponível. Evidentemente, já devia estar em curso há algum tempo uma mudança de atitudes. Quais foram os antecedentes filosóficos dessa típica “revolta de 1968″?
Tollefsen: Com certeza, a aceitação geral de uma mentalidade utilitarista ou conseqüencialista, tanto na filosofia como na cultura política, contribuiu muito para essa revolta. A visão de que conseqüências boas podem tornar corretas ou mesmo obrigatórias algumas ações serviu de desculpa para muitos teólogos que afirmavam não existirem absolutos morais e que a moral sexual e reprodutiva precisava levar em conta o bem integral dos casais, unidos ou não pelo matrimônio. Só que essa é uma visão das coisas pelo avesso. Como disse o Papa João Paulo II na Encíclica Veritatis Splendor, os mandamentos estão para proteger os bens e o desenvolvimento do homem, e isso vale também para o ensinamento da Igreja acerca da contracepção.
MercatorNet: Sexo antes do casamento, uniões livres em vez de matrimônio, infidelidade conjugal, aumento nas taxas de divórcio: esses e outros males foram todos atribuídos à contracepção. Não seria simplificar demais as coisas? Seria a chamada mentalidade contraceptiva assim tão fundamental na determinação das tendências da sociedade contemporânea?
Tollefsen: É difícil menosprezar o profundo impacto que a contracepção teve na sociedade, embora não se possa dizer que há sempre uma relação direta de causa e efeito; não queremos dizer, por exemplo, que os casamentos vão fracassar porque as pessoas tomam anticoncepcionais. Mas a contracepção possibilita um mundo em que a castidade pré-conjugal deixa de ser necessária, o que por sua vez cria um mundo em que a castidade conjugal também é mais difícil. Cria-se um mundo em que há uma tremenda pressão em ambos os esposos para que se dediquem ao trabalho e adiem os filhos, o que faz surgir mais tensões na família. Além disso, parece bem plausível que a idéia de que temos o direito de satisfazer irrestritamente os nossos desejos sexuais teve um papel considerável no crescimento da indústria pornográfica, que causou sérios danos à família. Assim, o resultado final de um mundo amplamente moldado pela contracepção é um mundo bem pouco amistoso para com o casamento e a família.
MercatorNet: O conceito de “planejamento familiar” já se tornou popular na sociedade. Você acha esse termo problemático? O termo “paternidade responsável”, que é o empregado pela Igreja Católica, é melhor? Por quê?
Tollefsen: Bem, um dos problemas é que “planejamento familiar” quase sempre é um eufemismo para aborto sob demanda. E sem dúvida a idéia de “planejamento” pode parecer demasiado técnica, como é patente em diversas formas de reprodução assistida. Mas acho que também seria um erro deixar de lado a idéia acima mencionada, que a sexualidade e a procriação implicam responsabilidades; os casais podem ter motivos de peso para espaçar os filhos ou evitar a concepção por um certo tempo. Assim, o termo “paternidade responsável” parece dar uma boa noção daquilo a que um casal está chamado a viver.
MercatorNet: Uma das afirmações mais controversas acerca da contracepção é que ela conduz à difusão do aborto. Muitas pessoas conscienciosas ficam zangadas e estarrecidas diante de tal afirmação, mas será que não se estão enganando a si próprias?
Tollefsen: Receio que sim. A contracepção possibilitou algo que muitos seres humanos sempre desejaram: sexo sem conseqüências. Antes do século XX, as conseqüências do sexo fora do casamento eram geralmente a gravidez, de vez em quando alguma doença e quase sempre uma reputação bastante rebaixada. Mas a tecnologia contraceptiva diminui a ocorrência da primeira e da terceira conseqüências… até certo ponto, claro. Não elimina completamente a possibilidade de gravidez; assim, o sexo sem conseqüências, mesmo com o uso generalizado de contraceptivos, permanece inatingível se não se tem acesso ao aborto. Por isso, parece-me natural que uma pessoa pró-vida que se opõe ao aborto passe a ser uma pessoa pró-vida que propõe a castidade dentro e fora do casamento.
MercatorNet: Algumas pessoas não vêem diferença entre a contracepção e as técnicas naturais para o controle da fertilidade – o chamado planejamento familiar natural -, uma vez que a finalidade desejada é a mesma: “nada de bebês desta vez”. Há diferença moral ou filosófica entre essas duas coisas?
Tollefsen: Contracepção significa: não querer bebês e garantir que a concepção não vai acontecer. Essa decisão de prevenir um eventual bebê parece-me contrária à vida humana. Por outro lado, os esposos claramente não têm a obrigação de ter relações em todas as ocasiões possíveis, e têm vários bons motivos para se absterem algumas vezes. Durante o período fértil, o efeito da abstinência é às vezes desejável, de maneira que a abstinência é permissível. Isso é bem diferente de optar por evitar absolutamente a concepção de um bebê.
MercatorNet: Afirmar que o uso da pílula é antiético é ir contracorrente. Você teria umas palavras bem redondas para fazer as pessoas pensarem no assunto?
Tollefsen: Acho que as pessoas deveriam perguntar-se se o mundo tornado possível pela pílula – um mundo em que as relações sexuais não implicam compromisso numa união permanente e exclusiva com a esperança de filhos, e em que o casamento é quase sempre visto como uma parceria para o aumento do patrimônio e do status, sendo as crianças um item opcional -, se esse mundo as fez mais felizes, ou fez mais felizes os seus amigos e parentes. Uma resposta honesta a essa pergunta provavelmente as deixaria surpresas.
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| Christopher Tollefsen
Professor adjunto de filosofia na University of South Carolina e co-autor, com Robert P. George, do livro “Embryo: A Defense of Human Life” (Doubleday, 2008). É também membro do Witherspoon Institute of Princeton, New Jersey. |
| Fonte: MercatorNet Link: http://www.mercatornet.com/ Tradução: Quadrante |
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Leia mais:
Castidade no casamento
segunda-feira, 6 abril, 2009 às 23:04 | Publicado em Moral e Sexualidade | 5 ComentáriosTags: casal, casamento, castidade, matrimônio, sexo, Sexualidade
Você acha que castidade e casamento combinam? Ou acha que a castidade se vive até o casamento?
Veja este vídeo de Jason Evert e reflita:
Tradução e legendas: Daniel Pinheiro
Paz e Bem!
Adolescência e sexo (II)
quinta-feira, 2 abril, 2009 às 15:21 | Publicado em Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Deixe um comentárioTags: adolescência, adolescentes, amor, atração, educação sexual, Família, matrimônio, moral, sexo, Sexualidade
Segunda parte do artigo do promotor Paulo Pereira da Costa, ‘Adolescência e sexo’ (para ler a primeira parte, clique aqui). Faço alguns comentários depois:
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ADOLESCÊNCIA E SEXO (II)
Por Paulo Pereira da Costa*
Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes. A boa estrutura do relacionamento se obtém com o aprendizado e o amadurecimento que cada etapa proporciona. Assim, com efeito, ternura, carinho, a união se consolida e dificilmente vai ruir. Não se trata de exigir que sempre concordem em tudo. Nas etapas mais avançadas da vida a dois, quando vêm os filhos, surgem dificuldades, prováveis rusgas, mas numa relação sólida elas são superadas. E, com efeito, essa efetiva superação dos conflitos fortalece cada vez mais a união. Penso que quando se pede a garota em casamento é porque se sente algo tão forte que as palavras saem sem nenhum esforço para dizer: ‘quero você junto comigo para o resto da vida; quero amá-la agora e sempre, mesmo nos tempos mais sombrios, mesmo quando as árvores se desfolharem, as flores secarem; quero continuar amando-a mesmo quando o nosso viço tiver cedido aos efeitos do tempo, e depois que os nossos filhos se casarem e ficarmos só nós dois, entrados em anos, quando nossas forças forem suficientes apenas para um abraço, e continuarem a amá-la mesmo depois que você também se for, porque a sua lembrança me dará forças para não perder o sentido da vida’.
Puritanismo? Caretice? Pensem o que quiserem. O fato é que o modo moderninho de os adolescentes se relacionarem não tem dado bons resultados; gera filhos, mas não forma famílias; cria adultos inseguros, com propensão ao efêmero, ao fugaz, sem capacidade de assumir e manter compromissos. Quanto tempo, por exemplo, durou o casamento do Ronaldo Fenômeno com a Daniela Cicarelli? É comum mulheres dizerem que os homens interessantes estão virando raridade. Será que elas, tão permissivas, tão liberais, vulgares até, não têm grande parte de responsabilidade nisso? Será que não estão perdendo a graça? Dia desses, na TV, vi um programa no canal GNT em que uma sexóloga sessentona dá conselhos. Uma mulher apresentou a seguinte questão: o marido queria que ela o deixasse agredi-la com um chicote para machucá-la e fazê-la chorar, pois isso o excitava sexualmente. Ou seja, ele precisava humilhá-la e sentir-se superior para ter prazer. Ela disse que não estava a fim disso, mas tinha receio de não fazer o ‘jogo’ porque não queria magoá-lo. A conselheira refletiu um pouco. Pensei que ela fosse aconselhar com firmeza a mulher a mandar o marido se catar, procurar um médico, algo assim. Ela, porém, sugeriu que a mulher experimentasse uma vez e, se não gostasse, dissesse com jeitinho ao marido. Antiquado declarado, fiquei pasmo!
A mulher que aceita sofrer agressões físicas e morais, que se submete a humilhação para satisfazer desejos doentios do homem não tem amor-próprio, não se dá valor. Essa coisa de sadomasoquismo é doença e como tal deve ser tratada. Não existe uma relação no sentido mais nobre do termo se a dignidade é violada, se há violência física e moral. Amor é outra coisa, tem a ver com apreço, carinho, respeito consigo mesmo e com o outro. A visão tosca, doente mesmo, desvirtua o amor, limita-o. Esse sentimento descartável que vige não é amor. Chega de banalização, de vulgarização, de falta de essência. Os adolescentes precisam ser alertados disso pelos pais, professores e educadores em geral.
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* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.
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Gostaria de emendar alguns comentários sobre este artigo do Paulo Pereira da Costa, e dos conceitos por ele abordados.
Antes de qualquer coisa, por quê que achei que este artigo merecia destaque aqui, no P.A.? Simples: porque achei que o autor conseguiu ter uma visão clara e ampla dos sintomas causados na sociedade após esta ter sofrido, ao longo das últimas décadas, um bombardeio de erotização.
Além de tudo, as instituição “família” também passou e vêm passando por vários ataques à sua integridade, ao seu valor, à sacralidade do Matrimônio, que é sua base, sua fundação. Além da exposição da família à erotização já mencionada — que hoje em dia é perfeitamente observada nas novelas e nos Big Brothers –, ainda há a elevação do divórcio ao status de lei, a contracepção, a militância em favor da descriminalização do aborto, a militância em favor dos “direitos GLBT”, etc.
Além disso, há ainda a omissão dos pais na educação dos filhos, principalmente na educação afetiva e sexual. É fato que os pais católicos devem educar seus filhos para o amor, para o matrimônio, que os inimigos da Igreja e da família tentam transformar em um descartável e efêmero relacionamento, no lugar de um indissolúvel Sacramento. Hoje em dia são raros os adolescentes que recebem esse tipo de orientação em casa. Grande parte recebe esse tipo de informação das fontes erradas, e de maneira errada. Quase sempre, também a informação é errada. Os ensinantes de “educação sexual” nas escolas, por exemplo, muitas vezes inculcam nos seus alunos falsas idéias como a de que o sexo é um direito; de que o próprio prazer é um direito; de que ninguém deve dar pitaco nessa questão, que é muito pessoal e íntima; que a contracepção é uma coisa legal; que a camisinha é 100% “segura”; que sexo tem que ser “seguro”, senão é imoral… ou seja, uma sexualidade totalmente invertida, transviada. O sentido humano da afetividade sexual os adolescentes jamais aprenderão na escola, onde cogita-se até mesmo a instalação de máquinas de camisinha.
Gostaria de dar destaque a este trecho da primeira parte do artigo:
«O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas.»
As “questões outras” que já devem estar resolvidas na etapa em que brota o erotismo são, obviamente, as questões relativas ao casamento. A sexualidade humana, como bem esclarece a Doutrina da Igreja, mãe e mestra em matéria moral, contém em si própria, por vontade do Criador, a potencialidade da vida. Do amor entre os esposos pode surgir uma nova vida. E é um direito dos filhos nascerem: a) do amor de seus pais; e b) num ambiente familiar estável e duradouro, que permita à prole ser educada principalmente pelo exemplo de seus pais, pois é justamente na observância do testemunho dos pais que começa aquela educação afetiva e sexual doméstica já mencionada.
Penso que o próprio autor deixa isso bem claro quando continua, logo no início da segunda parte:
«Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes.»
Por fim, destaco o recado final do autor: os adolescentes precisam ser alertados pelos pais, professores e educadores em geral.
Meu recado particular vai para os pais: vocês têm o dever de serem os primeiros e principais educadores dos seus filhos. Eduquem-nos para o Amor, e eduquem-nos principalmente com o vosso próprio testemunho!
Paz e Bem!
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Leituras recomendadas:
Adolescência e sexo
quarta-feira, 1 abril, 2009 às 10:54 | Publicado em Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | 1 ComentárioTags: adolescência, adolescentes, atração, educação sexual, moral, sexo, Sexualidade
O artigo abaixo foi escrito por Paulo Pereira da Costa, promotor de Justiça e autor do livro ‘Pensando na Vida’, e publicado recentemente em duas partes (dois sábados consecutivos) no Editorial do jornal Comércio da Franca, o principal jornal da minha cidade.
Com a autorização do autor, reproduzo aqui seu artigo:
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ADOLESCÊNCIA E SEXO
Por Paulo Pereira da Costa*
O garoto de 16 anos fala para as colegas que aquela menina de 15 é bonita. Ela fica envaidecida ao saber. Rola um clima e logo os dois estão “ficando”, melhor dizendo, agarrando-se pelos cantos, frenética e lascivamente. Depois disso ele pensa se deve pedi-la em namoro. Não, eu não troquei a ordem. É assim mesmo que a coisa funciona. Ou seja, não funciona. O que começa errado dura pouco. Logo ele não quer mais nada com ela. E ela ainda sai no lucro se não pintar uma gravidez. Não estou delirando. Vejam o número de adolescentes grávidas e, pior, abandonadas. As mulheres estão iniciando a vida sexual cedo demais, sem terem a real noção do que é intimidade, do que é amor. E os homens também. Há coisas na vida que precisam esperar porque requerem certo preparo; outras as devem preceder numa sequência lógica e natural, sem forçar a barra. A adolescente precisa conhecer a si mesma, física e mentalmente, saber da sua natureza, de como funciona o seu corpo. Cada um no casal tem de saber da sua real condição. A mulher não é um mero objeto de satisfação da libido do homem. Nem ele dela. Uma relação verdadeira, sadia, não se sustenta apenas no prazer sexual. Ambos precisam ter consciência disso e quanto mais cedo melhor, pois é daí que vem o imprescindível respeito mútuo, que vai conservar o amor.
A pessoa precisa aprender cedo a valorizar-se, ter noção do tempo para cada coisa, preservar a intimidade para compartilhar com o par certo e na hora certa, enxergar o amor na sua grandiosidade, na sua sublimidade; conter a precipitação, aproveitar cada momento, fazer a vida passar em slow motion. Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Bentinho, com 15 anos, um dia consegue convencer Capitu a deixá-lo pentear os longos cabelos dela. Diz ele: “Continuei a alisar os cabelos com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. (…) e a sensação era um deleite (…). Desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes”. É por aí. É fantástica aquela fase inicial, de olhares furtivos, de ficarem ambos vermelhos quando os olhos se cruzam e denunciam a recíproca observação, de um “oi” tímido.
O namoro deve vir depois de se conhecerem melhor, sentirem que existe mesmo uma química, admiração recíproca, afinidade suficiente para um passo à frente, quando do fundo do coração ele pode dizer a ela: “sinto a vida mais leve quando a vejo, com sua presença parece que tudo se encaixa, gosto de vê-la sorrir, do seu jeito de falar, ajeitar o cabelo, de como você se senta, gosto de você; quero passar mais tempo contigo e compartilhar os meus segredos, desejos, sonhos”. É salutar que no início haja um quê de platônico, em que o simples andar de mãos dadas já seja algo mágico, suficiente para dar a sensação de ter o mundo sob os pés. Depois vem mais intimidade, mas também é uma fase para aferir se o sentimento que une o casal é forte o suficiente. O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas. (segue)
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* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.
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Não deixem de ler a segunda parte do artigo de Paulo Pereira da Costa.
Paz e Bem!
Filhos: um peso ou um bem?
sexta-feira, 27 março, 2009 às 16:36 | Publicado em Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 10 ComentáriosTags: amor, amor conjugal, anticoncepcionais, Catecismo, contracepção, Cormac Burke, fertilização in-vitro, filhos, FIV, laqueadura, paternidade, paternidade responsável, Pe. Cormac Burke, procriação, prole, Senado, sexo, Sexualidade, vasectomia
«Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos. Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter.» — Pe. Cormac Burke
Já há algum tempo eu estava com intenção de publicar aqui um artigo, longo mas belíssimo, do Pe. Cormac Burke, ex-juiz da Rota Romana e especialista em Teologia Moral e Direito Canônico.
Pra quem não sabe, a Rota Romana é o Supremo Tribunal da Igreja Católica, responsável, entre outras coisas, a julgar os pedidos de nulidade matrimonial.
Percebi que não poderia adiar a publicação deste artigo por causa da notícia que li hoje na Folha de S. Paulo, dizendo que o Senado aprovou um projeto que obrigará os planos de saúde a cobrir “planejamento familiar”. A questão é que, por “planejamento familiar” a lei reconhece vasectomia, laqueadura, e segundo uma lei de 1996, até fertilização in-vitro (FIV).
«Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.» — C.I.C. §1652
A Doutrina Católica sobre o matrimônio cristão ensina que os filhos são dons de Deus, concedidos pela sua infinita bondade, que permite e ordena o amor conjugal para que se frutifique. A relação conjugal, para ser verdadeiramente uma relação de amor, precisa estar aberta à vida. Os esposos que quebram voluntariamente e artificialmente o vínculo unitivo e procriativo que Deus quis que existisse naturalmente na relação sexual estão cometendo pecado grave. Estão maculando sua própria relação de amor, pois descumprem a promessa feita a Deus perante a Igreja de “aceitar de bom grado os filhos que Deus vos mandar”.
Incorrem neste erro não somente os casais que recorrem a métodos artificiais para a contracepção, mas também aqueles que recorrem à fertilização in-vitro, inseminação artificial, etc. Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2377:
«Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa.”»
Os destaques e grifos são meus.
É preciso dizer que nem de longe é verdade o que alguns, desprovidos de informação correta acerca da Doutrina, afirmam. Por exemplo, que para a Igreja, o sexo é só pra reprodução; ou que a Igreja é contra a contracepção em qualquer circunstância. Não, não é verdade.
A Igreja realmente vê com muito bons olhos as famílias numerosas (cf. C.I.C. §2373), porém, ela reconhece que em certos casos, por razões não egoístas, os casais têm necessidade de espaçar os nascimentos dos filhos, ou suspendê-los. A Igreja não é contra a Paternidade Responsável. Ela só quer que a Paternidade Responsável seja realizada de forma não egoísta; que esteja de acordo com uma justa generosidade; e que o façam de acordo com os critérios objetivos da moralidade (cf. C.I.C. §2368). Esses critérios são explicados no parágrafo 2369 do Catecismo:
«Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.»
Portanto, a regulação dos nascimentos só é válida para um casal cristão quando há uma justa razão para tal (uma que não seja baseada no egoísmo), e que seja um método natural, que recorra aos ritmos naturais impressos pelo Criador em cada pessoa, e não interfira artificialmente na doação mútua entre os esposos.
Uma coisa que é preciso ser dita, e que o Pe. Cormac explica muito bem em seu artigo, é que hoje em dia os filhos raramente são vistos como um bem, como um dom, como alguém que vai trazer coisas muito positivas para a família. Infelizmente até mesmo grande parte dos católicos foram contaminados com a (falsa) idéia de que um filho significa muita despesa, muita dor de cabeça, muito trabalho e um padrão de vida certamente inferior. Onde foi parar a generosidade?
Reflitamos com Pe. Cormac Burke em seu artigo, abaixo:
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