Alguém se lembra de Alagoinha?

sexta-feira, 3 abril, 2009 às 15:01 | Publicado em A Voz do Santo Padre | 2 Comentários
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P.P. Pius XI

P.P. Pius XI

Um excerto interessante e muito atual da carta encíclica Casti Connubii, do Papa Pio XI sobre o matrimônio cristão. Leia:

«No que respeita, porém, à “indicação médica e terapêutica” — para Nos servirmos de suas próprias palavras — já dissemos, Veneráveis Irmãos, quanta compaixão sentimos pela mãe a quem o cumprimento do seu dever natural expõe a graves perigos da saúde e até da própria vida; mas que causa poderá jamais bastar para desculpar de algum modo a morte direta do inocente? Porque é desta que aqui se trata. Quer a morte seja infligida à mãe, quer ao filho, é contra o preceito de Deus e a voz da natureza: “Não matar” (Ex 20, 13; Cf. Decr. Santo Ofício, 4 maio 1898, 24 julho 1895, 31 maio 1884). A vida de um e de outro é de fato coisa igualmente sagrada, que ninguém, nem sequer o poder público, terá jamais o direito de destruir. Insensatissimamente se faz derivar contra os inocentes o jus gladii, que não tem valor senão contra os culpados; também de maneira nenhuma existe aqui o direito de defesa até ao sangue contra o injusto agressor (pois quem chamará injusto agressor a uma criancinha inocente?); tampouco o chamado direito de extrema necessidade, que pode ir até à morte direta do inocente. Os médicos que têm probidade e ciência profissional louvavelmente se esforçam por defender e conservar ambas as vidas, a da mãe e a do filho; pelo contrário, mostrar-se-iam indigníssimos do nobre título e da glória de médicos aqueles que, sob a aparência de arte médica ou movidos de mal-entendida compaixão, se entregassem a práticas assassinas.

(…)

Aquilo, porém, que se propõe acerca da indicação social e eugênica pode e deve ser tomado em consideração, contanto que se proceda de modo lícito e honesto e dentro dos devidos limites; mas, quanto a querer prover à necessidade em que se apóia com a morte dos inocentes, repugna à razão e é contrário ao preceito divino, promulgado aliás por aquelas palavras apostólicas: “não se deve fazer mal para que daí venha bem” (Cf. Rom. III, 8).

Aqueles, enfim, que têm o supremo governo das nações e o poder legislativo não podem licitamente esquecer-se de que é dever da autoridade pública defender a vida dos inocentes com leis oportunas e sanções penais, tanto mais quanto menos se podem defender aqueles cuja vida está em perigo e é atacada, entre os quais ocupam, sem dúvida, o primeiro lugar as crianças ainda escondidas no seio materno. Se os magistrados públicos não só não defenderem essas crianças mas, por leis e decretos, as deixarem ou até entregarem a mãos de médicos ou de outros para serem mortas, lembrem-se de que Deus é juiz e vingador do sangue inocente, que da terra clama ao céu (Cf. Gn 4, 10)Casti Connubii, S.S. Pio XI, 31.12.1930

Os grifos e destaques são meus, mas as palavras são do Sucessor de Pedro. Alguém aí se lembrou de algo que ocorreu recentemente em Alagoinha-PE?

Paz e Bem!

Catolicismo pretensioso

sexta-feira, 20 março, 2009 às 12:16 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida, Fé e Igreja | 10 Comentários
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Eis que abro meus e-mails hoje e me deparo com esta lamentável mensagem. Leiam primeiro, comento depois:

***
———- Forwarded message ———-
From: [omitido]
Date: 2009/3/20
Subject: do ” Dom da paz ” ao ” Dom do estupro”

Ontem em uma reunião com vários colegas fiquei surpresa ao saber, as dimensões que tomaram o caso da criança estuprada em Alagoinha-Pe e como causou revolta e indignação na população, em geral, as palavras do representante da Igreja em Olinda e Recife.

Com efeito, para a imensa maioria do povo brasileiro, ele passou a imagem de um homem, extremamente arrogante e sem nenhuma misericórdia.

Todos ficaram impressionados, como ele se apressou em julgar, sentenciar e aplicar a pena.

A forma que ele se apressou em procurar a mídia, para anunciar a “excomunhão” de uma mãe desesperada, pobre e sem recursos e dos médicos envolvidos, foi surpreendente.

Diziam que ele saiu de seu “trono” onde reina como um “semideus” onde determina quem é quem, sem jamais se aproximar do pobre, dos miseráveis e dos que sofrem.

Que, ele deixou, para o povo, a nítida idéia que a Igreja ampara o estuprador e os pedófilos e condena a vítima e as pessoas que as acolhem.

Em tom de brincadeira, mas falando sério, o elegeram como futuro santo protetor dos estupradores e pedófilos.

Todos se perguntam será o inicio do fim da Igreja de Roma?

Espero, que não. A Igreja Católica não merece esse triste fim.

Alguns de nós, defendeu a Igreja dizendo que a imensa maioria do clero se dedica a ajudar o povo, que não está em busca da mídia e que faz um trabalho maravilhoso e que, Graças a Deus, esse bispo é uma exceção à regra. Ele necessita da mídia e para ter visibilidade sai falando o que lhe vem á cabeça.

Mas, infelizmente, já foi lançada à campanha:

Dom José de Recife Padroeiro dos estupradores e pedófilos.

Foi com muita a tristeza que constatei que a imensa maioria das pessoas acredita que onde viveu o amado “Dom da Paz” hoje vive um Dom que desagrega e defende estupradores pedófilos.

Nossa Senhora Menina, rogai por nossas crianças desamparadas.

***

Antes de fazer comentários sobre as bobagens escritas por esta senhora (cujo nome eu omiti para me resguardar das ameaças que já recebi. Doravante, chamarei pelo nome fictício de “Ébete Nuñez”), devo esclarecer que:

a) Ébete é manifestamente favorável ao aborto;

b) Ébete é favorável à união civil entre homossexuais;

c) Ébete é absolutamente anti-Catecismo, anti-Magistério e anti-clerical.

Além disso, Ébete já é conhecida no meio blogueiro católico por suas falhas crassas de argumentação, sua leitura “seletiva” e, principalmente, porque apesar de tudo isso, ainda se declara como sendo “católica”. Pretenso catolicismo, não? Tão pretenso quanto o de qualquer uma das “católicas pelo direito de assassinar”.

Por quê publicar aqui e comentar as idiotices que ela diz? Simplesmente porque ela, ao invés de publicá-las em um blog, permitindo os comentários e o livre debate, de forma que outros a possam questionar e argumentar contra ela, ela prefere enviar seu vômito intelectual e doutrinário por e-mail para uma lista de inúmeras pessoas, em cópia oculta, disseminando assim suas mentiras e o seu veneno anti-eclesial e anti-clerical de forma que ninguém possa desmenti-la e nem argumentar contra ela diante da mesma platéia que ela tentou enganar.

Pois bem, neste e-mail ela faz uma comparação entre Dom José Cardoso Sobrinho, um bispo muito ortodoxo e fiel ao Santo Padre que pastoreia a Arquidiocese de Olinda e Recife, e Dom Hélder Câmara, seu antecessor, um bispo muito conhecido e admirado, mas com posições dúbias e controversas em muitas matérias doutrinais, por ter sido um dos maiores nomes da “heresia da libertação”, um mal que tomou conta da Igreja da América Latina durante alguns anos, mas que agora, graças a Deus, está em vias de extinção.

A Dom Hélder, Ébete chama de “o Dom da paz”, e a Dom José Cardoso Sobrinho, ela chama de “o Dom do estupro”, como se Dom José tivesse culpa, ou se em algum momento ele tivesse defendido o estuprador da garota de 9 anos grávida de gêmeos de Pernambuco.

Infelizmente, o sensacionalismo da mídia, a omissão da verdade de certas autoridades e a desonestidade intelectual, a verdadeira má-fé de quem procura informações sobre o assunto e prefere dar créditos a quem não merece, e divulgar mentiras e preconceitos contra a Igreja de Jesus cristo, como é o caso da Ébete, infelizmente tudo isso fez com que muita gente no Brasil acompanhasse o caso da garota de Pernambuco de forma insensível, maqueada, e sem acesso à verdade.

Muita gente criticou Dom José simplesmente por ele ter se lembrado de que, para a Igreja, ainda que o estupro seja um crime hediondo, quanto mais aquele cometido contra uma menor, mais horripilante ainda é o assassinato de dois seres indefesos e inocentes dentro do lugar que deveria ser um santuário de conforto e segurança, o útero materno.

Dom José, um bispo da Igreja, honrado homem de Deus, só estava fazendo aquilo que lhe compete enquanto sucessor dos Apóstolos de Nosso Senhor, e Arauto do Evangelho da Vida: defender a vida humana!

Disse o Papa João Paulo II (grifos meus):

A Igreja sabe que este Evangelho da vida, recebido do seu Senhor, encontra um eco profundo e persuasivo no coração de cada pessoa, crente e até não crente, porque se ele supera infinitamente as suas aspirações, também lhes corresponde de maneira admirável. Mesmo por entre dificuldades e incertezas, todo o homem sinceramente aberto à verdade e ao bem pode, pela luz da razão e com o secreto influxo da graça, chegar a reconhecer, na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15), o valor sagrado da vida humana desde o seu início até ao seu termo, e afirmar o direito que todo o ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário. Sobre o reconhecimento de tal direito é que se funda a convivência humana e a própria comunidade política.Encíclica Evangelium Vitae, n. 2

Dom José e a Igreja, agora tão criticados, foram os únicos que se levantaram para defender as três vidas que estavam em jogo: os dois bebês gêmos, e a jovem mãe.

A imprensa infelizmente, como já disse, somente fez desinformar, tumultuar e polemizar sobre o triste fato do abortamento desses gêmes. Agora, repetem notícias sobre a polêmica das excomunhões, apenas pra desviar o foco das ilegalidades que foram cometidas no caso.

Que fique bem claro:

1. Este aborto foi desnecessário: a garota não corria risco de vida. Vários médicos sérios atestam isso (também aqui);

2. Este aborto foi clandestino: organizações feministas favoráveis à legalização do aborto praticamente raptaram a garota do IMIP, e a conduziram ao CISAM, onde o aborto foi realizado de forma rápida, para que ninguém da família fosse capaz de impedir a tempo. A imprensa ajudou a esconder o paradeiro da garota;

3. Este aborto foi ilegal: para que um procedimento desse tipo seja realizado em uma menor de idade, é necessário que ambos, pai e mãe, autorizem. O pai da garota era rigorosamente contrário ao aborto;

4. A mãe da garota é analfabeta, e foi obrigada a assinar com impressão digital um documento que não era sequer capaz de ler;

5. O pároco de Alagoinha, Pe. Edson; os conselheiros tutelares de Alagoinha e a assessoria jurídica da Arquidiocese de Recife e Olinda tentaram de tudo pra impedir que este aborto acontecesse. Pessoas que sequer eram médicos, mentiram para a família, afirmando que a garota morreria se levasse a gravidez a termo.

6. Dom José em momento algum defendeu o estuprador. Muito pelo contrário, ele também condenou. O que houve foi um sentimento de confusão, uma vez que a Igreja declara como excomungados aqueles que praticam ou colaboram com um aborto, mas não fazem o mesmo com alguém que comete um crime de estupro contra menor. Acontece que a excomunhão é um instrumento que a Igreja possui para evidenciar o escândalo que é o covarde crime do aborto, uma vez que em vários lugares do mundo este crime é relativizado, visto como um direito legítimo, algo normal. É isso que está acontecendo no Brasil, e a Igreja tenta lutar contra. O estupro, pelo contrário, é reconhecido como algo horrível por qualquer pessoa. Ninguém fala, por exemplo, em “estupro terapêutico”, como se fala em aborto, insinuando que em alguns casos ele pode ser solução.

O que é mais triste é que as pessoas não enxergam que este caso polêmico é somente a ponta do iceberg. Faz parte de um plano monstruoso de ataque aos valores que constituem a sociedade brasileira, e à própria Constituição Federal. Um plano internacional levado a cabo por um rol de organizações abortistas financiadas com milhões e milhões de dólares, com filiais no Brasil.

Eu soube de tudo isso através dos relatos do Pe. Edson, publicado em seu próprio blog, e também no blog Deus lo vult!. Nada disso foi divulgado na imprensa. Por quê tanta mentira e dissimulação? Não é estranho?

Pessoas como a Ébete não questionam isso. Em pessoas como a Ébete, a vontade de criticar, depredar e caluniar a Igreja e os bons bispos que nós católicos temos é infinitamente maior do que a honestidade intelectual, da vontade de saber e fazer conhecer a verdade.

Quanto à pretensa preocupação da Ébete:

Todos se perguntam será o inicio do fim da Igreja de Roma? Espero, que não. A Igreja Católica não merece esse triste fim.

Fique sossegada, Ébete. Enquanto houver um bispo fiel ao Papa, como Dom José Cardoso Sobrinho, a Igreja de Cristo estará sempre de pé, conforme prometeu Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 28,20).

E quanto a esta afirmação da Ébete:

Dom José de Recife Padroeiro dos estupradores e pedófilos.

Veja a índole dessa pessoa. Creio que isto seja abusar da misericórdia de Deus!

Para Dom José, deixo todo o meu apoio, e os seguintes versículo da Palavra de Deus:

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Mateus 5,10-12

Paz e Bem!

Parecer médico sobre aborto ocorrido em Recife

segunda-feira, 16 março, 2009 às 11:13 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida | 2 Comentários
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Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira, ginecologista obstetra, dá seu parecer sobre aborto ocorrido em Recife:

“Meus amigos,

- Todo o fato é terrível — não é isso que se está discutindo — porém acho importante fazermos algumas reflexões pois o aborto não era a única nem a melhor solução:

a) Devem ter usado Cytotec (?) — que tem protocolo muito claro para tratamento de úlceras gástricas — não há experiência suficiente de seu uso em meninas de 9 anos grávidas (mesmo que tenham usado outra droga — sempre se está atirando meio no escuro pois é de se convir que é raro uma gravidez gemelar aos 9 anos) — portanto houve risco na indução do aborto;

b) A menina não corria risco de vida agora — não havia esta pressa nem indicação de intervenção no momento para salvar a sua vida;

c) De onde vem a estatística que ela corria o risco de 90% de morte ou de qualquer outra %? Estatística deve ser registrada em trabalho médico de pesquisa e com amostragem significativa para ter valor;

d) Haveria possibilidade que tivesse parto prematuro ou até aborto (espontâneo) — mas, quando espontâneo, o processo é mais simples e de menor risco;

e) Se levasse a gravidez pelo menos até 22 semanas, teríamos 15 a 20% de chance de sobrevivência para os gêmeos (mesmo que fosse 10% de chance — estaríamos tentando salvar as crianças sem aumento de risco para a mãezinha);

f) psicologicamente, esta menina foi usada como um trapo pelo homem, destruída como pessoa, percebendo-se marcada inconscientemente como algo sem valor — e por 3 longos anos. Ao experimentar a destruição dos filhos como lixo, o inconsciente registra — “viu, sou lixo e de mim só pode sair lixo”. Sabe-se lá como se fará para recuperar todo esse novelo em sua cabecinha. Por outro lado, imagine-se: ela sentindo-se rodeada por atenção, amor, cuidado e experimentado a valorização das crianças que trazia dentro de si — mesmo que a análise racional não fosse predominante — poderia estar começando aí o seu resgate como pessoa integral;

g) sei de meninas que deram a luz com 10 anos e continuam muito bem após anos e anos;

h) Não sei de ninguém que morreu por causa da idade precoce com que engravidou, se recebeu acompanhamento adequado. Vou pesquisar mais e comunico a vocês se houver algum trabalho nesse sentido”.

Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira

Médica ginecologista-Obstétrica; integrante da Comissão de Ética e Coordenadora do Depto. de Bioética do Hospital São Francisco, em Jacareí, São Paulo, Diretora do Centro Interdisciplinar de Bioética da Associação “Casa Fonte da Vida” ; especialista em Logoterapia e Logoteoria aplicada à Educação.

Cordel para o caso de Alagoinha

quinta-feira, 12 março, 2009 às 11:53 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes, Fé e Igreja, Mídia e Sociedade | 6 Comentários
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Um tal Miguezim de Princesa, escritor de cordel metido a “intelequitual”, se propôs a escrever as rimas abaixo a fim de criticar a Igreja, Dom José, e tudo mais que conseguisse. Mas não ficou barato. A resposta veio na medida, escrita pela católica Angélica dos Santos, da comunidade Fora Lula, no Orkut.

Abaixo vão, estrofe por estrofe, os versos de Miguezim e de Angélica. Os do Miguezim em vermelho, cor de enxofre. E os da Angélica em azul, cor do céu.

Leiam:

***

A Excomunhão da Vítima (Miguezim de Princesa)

I.
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II.
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão”.

III.
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV.
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V.
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI.
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII.
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII.
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
bolindo com os meninos.

IX.
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.

X.
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

***

O Sinistro e o aborto (in)feliz (Angélica dos Santos)

I.
Sem licença de muso ou musa,
segue o texto de um Cristão.
Inspirado, sábio ou sabido
só cuida de dar vazão
a força de uma Igreja
que com desassombro peleja
contra a abominação.

II.
As bruxas que não queimaram
procuram a consagração
jogam palavras ao vento
pregam o sim onde é não.
Pensaram que o Vaticano
deixara o divino plano
pra chafurdar com o Cão.

III.
Dom José, Bispo de Deus
Servo do Salvador
Tratou com seriedade
a sanha do abortador,
Que massacrando o abuso
agride com sua lida
uma vida ainda em flor.

IV.
Da lei que trata do estupro
Responda quem legislou
Resulta da mão do homem
Que tantas vezes falhou
Se a lei dos homens bastasse
Não havia quem precisasse
De amparo, guarida e amor.

V.
Se o aborto é imprevisto
Fruto da devassidão
Não venha um tal sinistro
Que não se julga cristão
Com fala de manso seboso
Destratar em tom jocoso
A regra da excomunhão.

VI.
Buscando notoriedade
Um Miguezin de Princesa
Resolve afrontar o Bispo
Cheio de sonsa torpeza
Não passa de um sem-vergonha
Destilando fel e peçonha
Tentando atingir a Igreja.

VII.
Se foi bem excomungado
O sinistro Temporão
Ele que se arrependa
Com muita sofreguidão
O diabo é bicho feio
E o inferno anda cheio
De tanta boa intenção

VIII.
O Lula disse uma vez
Que a Saúde no Brasil,
É coisa quase perfeita
Que nunca antes se viu.
Prevenção na escolinha,
É máquina de camisinha
no meu Brasil varonil.

IX.
Quem quer fornicar, fornique,
E viva a vida do Cão,
O governo dá o brinde
Pra tua devassidão.
Pro bucho dá comprimido
E, em vez de ficar oprimido,
O feto vai pro lixão.

X.
Deus proteja a menina,
A família e o Pastor.
Pra escória que critica
Um Bispo fiel ao senhor
Só resta lamber as feridas
Do fruto de sua dor.
Já o sinistro Temporão
Carrasco dos inocentes
Com seus planos indecentes
Já vive nos braços do Cão.

***

Paz e Bem!


Estupro, aborto e valores distorcidos

quarta-feira, 11 março, 2009 às 9:49 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida | 1 Comentário
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Por Prof. Carlos Ramalhete*

Aqui tem vidaTêm sido espantosas as reações à declaração de dom Cardoso, arcebispo de Olinda e Recife, acerca das excomunhões dos responsáveis pelo aborto das duas crianças geradas no estupro de uma menina de nove anos de idade. O que ele fez foi apenas o seu dever: comunicar ter ocorrido a excomunhão automática dos responsáveis pela morte de duas crianças inocentes. Quem lesse as reações à comunicação, contudo, teria a impressão de que havia uma vida apenas em risco, e esta seria a vida da mãe das crianças. Não é o caso. A vida dela estava, sim, em um certo grau de risco, não maior nem menor que o de muitas mulheres grávidas com alguma complicação. Casos muito piores já chegaram a um final feliz.

Neste caso, contudo, aproveitando-se de uma falsa brecha legal – o fato de o Direito brasileiro não prever punição para o aborto de crianças geradas por estupro ou em caso de risco de vida para a mãe, exatamente como não prevê punição para o furto cometido por um filho contra o pai – grupos de pressão interessados na legalização do aborto apressaram-se, contra a vontade da mãe e de seus responsáveis legais, a matar o quanto antes as crianças que cometeram o crime de terem sido concebidas no transcurso de um repulsivo estupro. Os filhos são punidos com pena de morte pelo crime do pai.

A violência das reações à declaração de dom Cardoso, contudo, mostra claramente o alcance – em alguns setores bastante vocais da classe média urbana – de uma pseudoética apavorante. As crianças mortas simplesmente não entram na equação, não são consideradas. O próprio estupro só é mencionado de passagem. O risco de vida para a mãe é transformado em uma certeza de sua morte. São saudados como heróis salvadores os carniceiros que arrancaram do ventre da mãe duas crianças perfeitamente saudáveis e atiraram os cadáveres em uma cesta de lixo, onde provavelmente estava uma cópia mofada do juramento de Hipócrates que fizeram quando se formaram médicos.

Isto ocorre por ter sido perdida a noção do valor da vida. A vida, em si, para os defensores do aborto, não vale nada. Ao invés dela, o que teria valor seria o resultado final de uma equação que tem como componentes o bem-estar da pessoa e sua utilidade para a sociedade. As crianças abortadas não têm valor para a sociedade, logo podem ser mortas. Mais ainda, não merecem menção. A única criança digna de menção é a mãe, e olhe lá.

Ela mesma, a mãe das crianças abortadas, tem seu sofrimento deixado de lado. Uma menina de nove anos de idade que sofreu a violência de um estupro, provavelmente reiteradas vezes; uma criança ela mesma, vivendo mais que provavelmente em condições miseráveis (sabe-se que sua mãe não sabe ler e escrever, o que serviu bem aos que simplesmente mandaram que apusesse a impressão do polegar aos papéis que, como depois ela veio a saber, eram a sentença de morte de seus netos), foi levada de um lugar para o outro, teve os filhos que ela desejava manter arrancados de seu ventre e mortos, sendo tratada apenas como excelente exemplo de portadora biológica de material a abortar.

É de crer que provavelmente os defensores do aborto teriam de bom grado preferido que ela também tivesse sido abortada: o resultado da equação de utilidade social e bem-estar que usam para valorizar uma vida dificilmente seria alto o suficiente no caso dela para garantir-lhe a sobrevivência.

O estupro, mais ainda, o estupro reiterado e contumaz de uma criança indefesa é um crime asqueroso, que poderia em justiça merecer a pena de morte (não percebi, aliás, em nenhuma das numerosas e estridentes reações pró-aborto à declaração de dom Cardoso, alguém pedindo que fosse estendida ao estuprador a pena de morte que sofreram seus filhos). Quem o comete vê em sua vítima apenas um orifício cercado por forma humana, um receptáculo fraco e indefeso, logo acessível a suas taras. É já uma negação da humanidade da vítima: ela não merece, crê o estuprador, ter direito de opinião sobre o que é feito com seu corpo.

A mesma negação feita pelo estuprador contra sua vítima foi reiterada sobre seus filhos: ela foi estuprada; eles foram mortos. Desumanizada pela primeira vez pelo estuprador, ela o foi novamente, juntamente com seus próprios filhos – a flor de esperança e de vida que poderia ter saído do lodo da violência – pelos que não consideram que a vida tenha, por ser vida humana, algum valor. Agora, esperam eles, esgotado seu valor de propaganda, ela pode rastejar de volta à miséria de seu barraco e deixá-los tocar em paz a campanha pró-aborto.

* Carlos Ramalhete é professor e filósofo.

Publicado originalmente no espaço ‘Opinião’ do jornal A Gazeta do Povo.

Apoio a Dom José II

segunda-feira, 9 março, 2009 às 14:25 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida | 9 Comentários
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Petição de apoio à vida e a Dom José Cardoso Sobrinho

Na última semana, a mídia e diversos setores progressistas e autoritários escolheram o Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, como novo alvo de seus arroubos pró-aborto, numa clara escolha pela morte em detrimento do dom da vida, concedido por Deus por pura caridade e amor a seus filhos.

Atacado por todos os lados, intelectuais, políticos e jornalistas desejam isolar dom José e distorcer suas palavras e sua defesa firme do catolicismo.

Em apoio a este servo de Deus e defensor dos dogmas da Igreja Católica, peço que assine este documento e deixe mensagens de apoio ao bispo por sua corajosa defesa da vida humana.

Na paz de Cristo,

Igor C. Franco

———

Assine a petição acima e manifeste seu apoio a Dom José Cardoso Sobrinho contra os ataques perpetrados pela mídia e pelos políticos. Clique no endereço abaixo:

http://www.petitiononline.com/provida/petition.html

Paz e Bem!

Apoio a Dom José

segunda-feira, 9 março, 2009 às 9:27 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida | 6 Comentários
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Dom José Cardoso Sobrinho

Diante de tanta ofensa, calúnia, mentira e perseguição contra Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo de Olinda e Recife, por causa de sua atuação impecável como sucessor dos Apóstolos na defesa da vida e no pastoreio das almas que lhe foram confiadas, eu me senti compelido a manifestar aqui meu apoio a ele. Mas, após ler a carta aberta enviada pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, do Pró-Vida de Anápolis, eu percebi que não havia mais nada a ser dito. O Pe. Lodi já disse tudo!

Reproduzo aqui, conforme recebido por e-mail.

Paz e Bem!

———

DOM JOSÉ CARDOSO SOBRINHO, O MÁRTIR EM DEFESA DA VIDA

Prezado Dom José Cardoso Sobrinho
aorpe@ig.com.br

Louvada seja Aquela que nos trouxe o Autor da Vida!

Aqui em Roma, em meio aos estudos de Bioética, desejaria ter mais calma  para escrever esta carta de elogio à sua brilhante atuação como pastor diante da Arquidiocese de Olinda e Recife. Temo, porém, pecar por omissão se deixar para depois algo que deveria escrever hoje em apoio à sua defesa da vida de três crianças.

Sim, três são as crianças que o senhor defendeu: uma menina de nove anos, violentada pelo padrasto, e duas crianças gêmeas geradas neste ato de violência.

Em meu trabalho pró-vida, várias vezes deparei-me com casos de adolescentes ou crianças vítimas de estupro. Enquanto as feministas ofereciam aborto, nós, cristãos, oferecíamos acolhida, hospedagem, assistência espiritual e acompanhamento durante a gestação, parto e puerpério.
As crianças geradas em um estupro costumam ser alvo de um carinho especial de suas mães. Longe de perpetuar a lembrança da violência sofrida (como dizem alguns penalistas), o bebê serve de um doce remédio para o trauma do estupro. Podendo doar o bebê após o parto, elas se assustam só de pensar em ficar longe dele. Tremem ao se lembrar que um dia cogitaram em abortá-lo.
O aborto, além de ser uma monstruosidade maior que o estupro, causa um trauma adicional à mulher violentada. A idéia do aborto como “alívio” para o estupro é uma falsidade que deveria ser banida dos livros de Direito Penal.

A imprensa que acusa o senhor teve o cuidado de não revelar como o aborto foi feito. E com razão. Pois enquanto os defensores da vida mostram com alegria a linda criança concebida em um estupro, os abortistas não podem mostrar os restos mortais dos bebês que foram assassinados. Em se tratando de dois bebês de quatro meses, é possível que os médicos tenham feito uma cesariana para extraí-los do ventre materno. E depois? Depois, devem tê-los jogado no lixo, esperando que morressem. Uma cena nada agradável, nem digna de quem professa a Medicina. Os autores desse assassínio precisaram ter o sangue frio de um algoz para olhar nos olhos de suas duas vítimas abortadas. Mas é a pura realidade.

Outro argumento usado pelos abortistas é que a menina-mãe, por causa de sua tenra idade, não poderia levar até o fim a gravidez. Por isso, o aborto seria “necessário” para salvar a vida dela. Evidentemente, como o senhor sabe, tudo isso é mentira. A menina não estava prestes a morrer nem o aborto se apresentava como a “solução”. Uma gravidez como a dela exigiria um acompanhamento adequado. Médicos que honrassem o seu juramento fariam  tudo para salvar os gêmeos, esperando que eles chegassem a uma idade gestacional em que poderiam sobreviver a uma operação cesariana. Afinal, para que servem as nossas UTIs neonatais?
Talvez os bebês morressem espontaneamente durante a gravidez. Mas os médicos não carregariam a culpa por esse aborto espontâneo.

Aos que levianamente criticam o senhor, defendendo o aborto como meio para salvar a vida da mãe, eu proponho o seguinte caso.
Suponhamos que, de fato, o aborto pudesse “curar” alguém. Façamos de conta que, em alguma hipótese, o aborto seja “terapêutico”. Estaríamos diante de um caso semelhante ao de uma mulher que, oprimida pela fome durante o cerco de Jerusalém (ano 70 d.C), matou e devorou o próprio filho recém-nascido. O episódio é narrado pelo historiador Flávio Josefo. O raciocínio é o mesmo. Se a mulher não matasse seu filho, ambos morreriam de fome. Ao matá-lo, pelo menos uma das vidas foi salva.
Quem aplaude o aborto como meio para salvar a vida da mãe, deve, por coerência, aplaudir a atitude desse mulher que matou o filho para salvar a própria vida.

O senhor sabe muito bem – mas há muitos que não sabem e não querem saber – que nunca é lícito matar diretamente um inocente, nem sequer para salvar outro inocente. Por isso, o senhor está de parabéns por ter cumprido sua missão, que não é a de matar, mas a de dar a vida por suas ovelhas.

Permita-me agora referir-me a uma das mentiras que estão sendo apregoadas. A grande imprensa vem apregoando que, no caso da pobre menina de nove anos, o aborto foi legal. Ora, isso é absurdo. Não há aborto “legal” no Brasil, assim como não há furto “legal”. Nossa Constituição, que protege o direito à propriedade (por isso, não há furto “legal”), também reconhece a inviolabilidade do direito à vida (por isso não há aborto “legal”). O que os médicos fizeram, aos olhos da lei penal, foi um crime. Ocorre que, nem sempre a pena  é aplicada ao criminoso. Há hipóteses, chamadas de “escusas absolutórias“, em que a pena não se aplica, embora subsista o crime. Um exemplo típico é o do furto praticado em prejuízo de ascendente, descendente ou cônjuge (art. 181, CP). Quem pratica tal furto (por exemplo, o filho que furta do pai) comete crime. No entanto, por razões de política criminal (como a preservação da intimidade da família) em tal caso o furto não se pune. Analogamente o aborto, que é semprecrime, tem dois casos em que a pena não se aplica: I – se não há outro meio (que não o aborto) para salvar a vida da gestante; II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal (art. 128, CP).

O médico que pratica aborto em ambas as hipóteses comete crime. A lei não autoriza a praticar o crime, mas pode deixar de aplicar a pena após o crime consumado.
Como, porém, houve crime, faz-se necessário um inquérito policial. A polícia, indiciando os médicos e outras pessoas envolvidas, verificará se de fato foram preenchidos os requisitos para a não-aplicação da pena. Em outras palavras: verificará se a atitude dos médicos, além de ilegal e criminosa, é também passível de sanção penal.

Pode ser que o delegado de polícia chegue, por exemplo, à conclusão – nada improvável – de que o  consentimento da mãe da menina foi obtido mediante fraude ou coação. Nesse caso, uma vez comprovada a invalidade do consentimento, a conduta dos médicos se enquadrará no artigo 125 do Código Penal (aborto provocado sem o consentimento da gestante), cuja pena é reclusão de três a dez anos.

Se os genitores da menina gestante foram vítimas de fraude ou coação, será possível ainda acionar judicialmente os médicos requerendo uma reparação civil de danos. Claro que nada repara a perda de duas vidas, nem o trauma sofrido pela menina de nove anos submetida ao aborto, mas uma indenização serviria como meio de advertência para os profissionais da morte.

Escrevo tudo isso para dizer que o senhor está do lado, não apenas da lei de Deus, mas também da lei dos homens. O senhor é digno de aplausos pela Igreja Católica e pelo direito positivo brasileiro.

Peço que o senhor não desanime. Estamos do seu lado. E, mais ainda, o Senhor da Vida está do seu lado!

Os ataques que o senhor sofre por todos os lados, até mesmo por pessoas de dentro da Igreja, fazem-me lembrar o que predisse Jesus: “Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. Com efeito, vim contrapor o homem ao seu pai, a filha à  sua mãe e a nora à sua sogra. Em suma: os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” (Mt 10,34-36).

As injúrias, as perseguições, as calúnias, tudo isso que o senhor está fazendo deve ser para nós, não só motivo de dor, mas motivo de grande alegria. Com efeito, assim se pronunciou Jesus na última das bem-aventuranças:
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus,
pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós
” (Mt 5,11-12).

Parabéns, Dom José Cardoso Sobrinho!
Subscreve o seu admirador, pedindo-lhe a bênção.

O escravo de Jesus em Maria,

--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 456
75024-970 Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

A verdade sobre a menina grávida de Alagoinha

sexta-feira, 6 março, 2009 às 16:47 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida | 13 Comentários
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Reproduzo aqui este importante relato do Pe. Edson Rodrigues, pároco em Alagoinha, publicado primeiramente em seu próprio blog.

Pelo relato do Pe. Edson, fica visível que família da garotinha tinha intenção de preservar, até onde fosse possível, a vida das três crianças vítimas do padrasto estuprador. Porém, a família toda, inclusive os humildes pais, tiveram suas consciências manipuladas por pessoas inescrupulosas, que viram na desgraça desta família uma oportunidade de advogar o crime do aborto (infanticídio intra-uterino).

Pelo jeito, tem mais gente excomungada nessa história. Não deixem de ler.

Paz e Bem!

P.S.: Antes que alguém coloque em dúvida o conteúdo do relato, o Pe. Edson disponibilizou seu telefone e e-mail para contato ao final do texto.

Atualizado em 09/mar às 10h38: Telefone removido, a pedido de Pe. Edson.

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GRÁVIDA DE GÊMEOS EM ALAGOINHA

O lado que a imprensa deixou de contar

Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.

Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história. O Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez.

Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa. Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra desde mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo, 10,10). Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!

Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE
padreedson@hotmail.com

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