Outra vez, cordel
sexta-feira, 13 março, 2009 às 14:07 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes, Fé e Igreja, Mídia e Sociedade | 4 ComentáriosTags: A Excomunhão da Vítima, A Excomunhão dos Abortistas, aborto, Alagoinha, Angelica dos Santos, Cordel, Deus lo Vult, Dom José, Dom José Cardoso Sobrinho, estupro, excomunhão, Fernando Nascimento, grávida, Miguezim de Princesa, poesia, vida
Publiquei aqui ontem o cordel “O Sinistro e o Aborto (In)feliz”, excelente resposta da Angélica dos Santos para a poesia “A Excomunhão da Vítima”, esta ofensiva à Igreja e a Dom José, escrita por um tal Miguezim de Princesa (se não leu, leia aqui: Cordel para o caso de Alagoinha).
Hoje soube de mais uma resposta católica para a ridícula poesia, escrita também em forma de cordel, desta vez por Fernando Nascimento.
Imperdível, no blog Deus lo Vult: “A Excomunhão dos Abortistas”.
Paz e Bem!
Cordel para o caso de Alagoinha
quinta-feira, 12 março, 2009 às 11:53 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes, Fé e Igreja, Mídia e Sociedade | 6 ComentáriosTags: aborto, Alagoinha, Angelica dos Santos, bispo, Cordel, defesa da vida, Dom José, Dom José Cardoso Sobrinho, excomunhão, Miguezim de Princesa, Pernambuco, versos, vida
Um tal Miguezim de Princesa, escritor de cordel metido a “intelequitual”, se propôs a escrever as rimas abaixo a fim de criticar a Igreja, Dom José, e tudo mais que conseguisse. Mas não ficou barato. A resposta veio na medida, escrita pela católica Angélica dos Santos, da comunidade Fora Lula, no Orkut.
Abaixo vão, estrofe por estrofe, os versos de Miguezim e de Angélica. Os do Miguezim em vermelho, cor de enxofre. E os da Angélica em azul, cor do céu.
Leiam:
***
A Excomunhão da Vítima (Miguezim de Princesa)
I.
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.
II.
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão”.
III.
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV.
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V.
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI.
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII.
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII.
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
bolindo com os meninos.
IX.
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.
X.
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.
***
O Sinistro e o aborto (in)feliz (Angélica dos Santos)
I.
Sem licença de muso ou musa,
segue o texto de um Cristão.
Inspirado, sábio ou sabido
só cuida de dar vazão
a força de uma Igreja
que com desassombro peleja
contra a abominação.
II.
As bruxas que não queimaram
procuram a consagração
jogam palavras ao vento
pregam o sim onde é não.
Pensaram que o Vaticano
deixara o divino plano
pra chafurdar com o Cão.
III.
Dom José, Bispo de Deus
Servo do Salvador
Tratou com seriedade
a sanha do abortador,
Que massacrando o abuso
agride com sua lida
uma vida ainda em flor.
IV.
Da lei que trata do estupro
Responda quem legislou
Resulta da mão do homem
Que tantas vezes falhou
Se a lei dos homens bastasse
Não havia quem precisasse
De amparo, guarida e amor.
V.
Se o aborto é imprevisto
Fruto da devassidão
Não venha um tal sinistro
Que não se julga cristão
Com fala de manso seboso
Destratar em tom jocoso
A regra da excomunhão.
VI.
Buscando notoriedade
Um Miguezin de Princesa
Resolve afrontar o Bispo
Cheio de sonsa torpeza
Não passa de um sem-vergonha
Destilando fel e peçonha
Tentando atingir a Igreja.
VII.
Se foi bem excomungado
O sinistro Temporão
Ele que se arrependa
Com muita sofreguidão
O diabo é bicho feio
E o inferno anda cheio
De tanta boa intenção
VIII.
O Lula disse uma vez
Que a Saúde no Brasil,
É coisa quase perfeita
Que nunca antes se viu.
Prevenção na escolinha,
É máquina de camisinha
no meu Brasil varonil.
IX.
Quem quer fornicar, fornique,
E viva a vida do Cão,
O governo dá o brinde
Pra tua devassidão.
Pro bucho dá comprimido
E, em vez de ficar oprimido,
O feto vai pro lixão.
X.
Deus proteja a menina,
A família e o Pastor.
Pra escória que critica
Um Bispo fiel ao senhor
Só resta lamber as feridas
Do fruto de sua dor.
Já o sinistro Temporão
Carrasco dos inocentes
Com seus planos indecentes
Já vive nos braços do Cão.
***
Paz e Bem!
Prova de Fogo (Fireproof, 2008)
quinta-feira, 26 fevereiro, 2009 às 15:20 | Publicado em Cultura e Artes, Matrimônio e Família | 1 ComentárioTags: casamento, crise, crise familiar, crise matrimonial, crise no casamento, crise no matrimônio, divórcio, Família, Fireproof, matrimônio, Prova de Fogo, separação
Em setembro passado, falei sobre um filme maravilhoso sobre restauração do matrimônio que estava prestes a ser lançado nos EUA, Fireproof, À Prova de Fogo.
O filme está prestes a ser lançado aqui no Brasil. Será em março, e o trailer já está disponível na internet.
A propósito, trata-se de um excelente filme, apesar dos elementos protestantes, que perto da beleza do filme, são perdoáveis.
Paz e Bem!
“Fireproof”: Casamento à prova de fogo
quinta-feira, 25 setembro, 2008 às 17:05 | Publicado em Cultura e Artes, Matrimônio e Família | 37 ComentáriosTags: casamento, cinema, Fireproof, matrimônio
Soube por acaso, através da newsletter do LifeSiteNews.com, sobre o filme abaixo, e achei que seria muito apropriado anunciá-lo aqui no P.A.
Leiam abaixo (tradução livre), que depois eu faço meus comentários:
-=-=-=-
Filme pró-Matrimônio estréia nos EUA nesta sexta-feira
24 de setembro de 2008 (LifeSiteNews.com) – Em um tempo em que a maioria dos casamentos terminam em divórcio, os produtores do popular filme “Desafiando Gigantes” trazem aos cinemas um filme que já inspirou numerosos casais a fortalecer e, em muitos casos, até a resgatar seus matrimônios.
Estreando nesta sexta (26 de setembro) em 850 salas dos EUA, “Fireproof” [nota do blogueiro: a tradução do título seria "À Prova de Fogo", mas o filme ainda não possui título em português] é uma história inspiradora de um devoto e heróico bombeiro que está com seu casamento à beira do precipício e, em resposta a um desafio feito por seu pai, decide (não sem certa relutância) tentar praticar um programa de 40 dias para salvar sua relação com sua esposa.
O filme estrela Kirk Cameron, que ficou famoso quando estrelou, na adolescência, a série “Growing Pains”. Kirk Cameron por muitos anos dedicou-se a usar seus talentos em prol de projetos que promovessem o bem.

O filme já encontra grande aclamação, particularmente entre a comunidade cristã, que compõe a audiência alvo do filme. Entretanto, “Fireproof” também encantou muitos não-crentes que corresponderam à mensagem do filme traz sobre o poder do amor desinteressado e sua prática, um retrato realista de como resgatar um casamento que parece ter passado do ponto de não ter mais volta.
Particularmente, muitos comentaram no website do filme que o retrato feito por “Fireproof” da fragmentação de um matrimônio é notavelmente similar às suas póprias e dolorosas experiências, e que eles imediatamente se sensibilizavam com a situação do Capitão Caleb Holt e sua esposa Catherine.
O filme é notável pela impressionante qualidade de sua produção. Escrevendo recentemente no The Tablet, jornal semanal da diocese do Brooklin, Pe. Robert Lauder relatou: “A princípio, eu não senti vontade de assistir ao filme, porque eu suspeitei que ele seria um filme pobre, feito com a melhor das intenções, mas amador e excessivamente sentimental. Mas eu fiquei surpreso ao ver que ‘Fireproof’ é um filme excepcionalmente bom. O roteiro é bom, as atuações são boas, a direção é boa, a música é boa e a edição é excepcionalmente boa”.
“Fireproof” gira em torno de um intrigante conceito: a noção de que adotar um simples programa de 40 dias no qual um dos esposos diariamente põe em prática um novo “desafio” matrimonial, uma tarefa que melhore a relação ou que beneficie o(a) esposo(a), pode mudar completamente os rumos de um casamento. Muito parecido com a campanha pró-vida de amplo sucesso “40 Dias Pela Vida”, o sucesso do método “Dare” [n.b.: "desafio", em inglês] está na sua ênfase em um programa prático, realista e relativamente curto.
Além do próprio filme, os produtores construíram um site na internet com recursos para ajudar casais a colocarem seus matrimônios de volta nos trilhos. Ainda mais surpreendente: eles publicaram o livro “The Love Dare” [n.b.: "O Desafio do Amor"], que no filme descreve o programa de 40 dias pelo qual o protagonista tenta dar ao seu casamento uma última chance.
No fim das contas, “Fireproof” é uma história sobre a necessidade da graça. A tentativa do Capitão Caleb Holt de reconquistar o coração de sua esposa Catherine é, inicialmente, rejeitada. Mas então, o pai de Holt diz ao jovem: “Você não pode dar aquilo que você não possui”, e mostra a ele que se ele quiser amar com aquele amor desinteressado que o matrimônio exige, ter uma relação com o próprio Amor – Deus – é indispensável. Com a graça de Deus se aprende a amar, mesmo quando o amor não é correspondido. Desta forma, Holt aprende a ancorar sua própria vida no amor, através da oração, a qual permite que ele ofereça à sua esposa o amor que ela necessita receber de seu marido.
-=-=-=-
Eu acessei o site do filme (www.fireproofthemovie.com), e lá está disponível o trailer pra ser assistido. Confesso que, enquanto assistia, senti um nó na garganta. O filme parece ser muito bom e mexer mesmo com as emoções dos espectadores.
É de se ficar espantado com a produção de um filme como esse. Um espanto positivo, pois infelizmente já estamos acostumados com a quantidade de lixo produzida pelo cinema nacional e internacional nos dias de hoje. Estamos acostumados com filmes que apelam para a cultura da morte, da violência, da pornografia, do homossexualismo, adultério, enfim, tantas e tantas atitudes e comportamentos que só fazem levar as pessoas a se afastarem cada vez mais do caminho que leva a Deus, o Bem universal e último que o coração humano deseja.
Sim, o coração humano deseja Deus. O mundo está sedento de Deus e não sabe! Quantas pessoas nós conhecemos, que estão neste exato momento imersos na infelicidade devido a um matrimônio fracassado? Quantas pessoas não passam o resto de suas vidas infelizes por acreditar que o amor do início já não existe mais, pois “a chama se apagou”? Quantos casais não levam uma vida de aparências, vivendo sob o mesmo teto, mas como se fossem completos desconhecidos? E pior: quantos casais não se divorciam, esquecendo-se ou ignorando completamente a linda e séria promessa que fizeram um ao outro diante do altar de Deus, de amarem-se e serem fiéis até a morte? Será que não vale a pena tentar algo novo pra tentar cumprir as promessas? Como seria bom se todos esses casais soubessem que tudo que eles mais desejam, a felicidade que eles tanto buscam, está mais perto do que imaginam! Como seria bom se esses casais soubessem que longe do divórcio, a solução é resgatar o amor, e isso só é possível com Deus e com boa vontade! Parece ser essa a mensagem do filme “Fireproof”.
E o espanto do qual falo, não fica somente por conta de “Fireproof”, mas também de outros filmes recentemente produzidos, que também são comprometidos com a propagação de uma boa mensagem, como Juno e Bella, por exemplo.
Pode até ser que Hollywood e o mercado cinematográfico estejam longe de serem dominados pelo “lado branco da força”, mas bem que seria uma boa se nós, cristãos, fizéssemos a gentileza de ajudar a propagar essa mensagem. Como? Assistindo ao filme no cinema – quando estrear no Brasil, claro -, levando os amigos e a família; ou comprando o DVD (quando for lançado); e começando desde já a cobrar o dono da locadora para que compre algumas cópias do filme, etc.
Quanto ao lançamento de “Fireproof” no Brasil, ainda não há previsão. Mas eu assumi como questão pessoal ficar “antenado” e publicar todas as novidades sobre o filme aqui no P.A., afinal de contas, o filme tem tudo a ver com o tema do blog.
Paz e Bem!
Aborto vira assunto também de filme
segunda-feira, 18 fevereiro, 2008 às 11:23 | Publicado em Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes | Deixe um comentárioTags: aborto, cinema, cultura, Sociedade
Matéria da Folha de São Paulo:
O romeno que surpreendeu Cannes
Cineasta Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro com seu terceiro longa, “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, drama impactante acerca de um aborto ilegal, fala à Folha sobre o filme, que estréia no Brasil amanhã
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2401200807.htm
| Divulgação |
Os atores Laura Vasiliu e Vlad Ivanov em “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” |
SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL
O cineasta romeno Cristian Mungiu diz que, desde que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio passado, com o drama sobre o aborto “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, não consegue ter “idéias criativas”. Motivo: “Estou viajando sem parar e, para ter idéias, é preciso ficar um pouco quieto”.
Mungiu falou à Folha, por telefone, do Japão, um dos 60 países onde o filme está sendo lançado. Aqui, estréia amanhã.
Apesar do interesse mundial que a vitória em Cannes naturalmente despertou para o filme de Mungiu e, por extensão, para a ainda frágil cinematografia da Romênia, a Academia de Hollywood lhe negou uma vaga na disputa ao Oscar de filme estrangeiro.
A recusa “doeu”, confessa o cineasta, que recebera seu prêmio em Cannes como uma vitória dos “pequenos cineastas, dos pequenos países” sobre os filmes com ” grandes orçamentos e grandes estrelas”.
FOLHA – Ao receber a Palma de Ouro, o sr. disse que o prêmio era uma “boa notícia para os pequenos cineastas, dos pequenos países”, porque demonstrava não ser mais necessário “fazer filmes com grandes orçamentos e grandes estrelas” para atingir as platéias. Isso quer dizer que o sr. não tem intenção de trabalhar em Hollywood? Mudou de idéia desde então?
CRISTIAN MUNGIU - Depois de um filme, você nunca sabe exatamente o que vai fazer. Minha preocupação é encontrar outra história que eu queira contar, que tenha a ver comigo. Por isso, acho que será uma história romena. Acho que os diretores deveriam se dedicar às histórias que saibam contar melhor. Não tenho nada contra filmes com atores famosos, mas, no caso deste meu filme, sabia que podia prescindir disso.
FOLHA – Considerando que sua geração não encarou o aborto por uma perspectiva moral, conforme o sr. declara, a experiência pessoal na qual baseou o roteiro de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” foi perturbadora no momento em que ocorreu?
MUNGIU - Soube cinco anos depois de ter ocorrido. Ocorreu há 20 anos. A experiência de ouvir uma história assim é das mais frustrantes, porque não há mais nada que você possa fazer. A princípio, agi como as personagens do filme. Pensei: nunca vou falar sobre isso. Mas chega uma época da vida em que você tem de se confrontar com o próprio passado. Fiz isso nesse filme de uma tal maneira que, honestamente, hoje mal consigo distinguir o que é ficcional e o que é documental, conforme a história que ouvi.
FOLHA – Que relação tem essa experiência pessoal com o panorama político da Romênia socialista, tema de seu novo projeto?
MUNGIU - Por mais que a gente queira pensar o contrário, somos o resultado da maneira como crescemos e fomos criados. Eu sou fruto da geração do baby boom [quando a proibição do aborto na Romênia resultou no aumento da taxa de natalidade]. A proibição do aborto foi um dos temas mais importantes da minha geração. O modo como vivemos a nossa adolescência está relacionado a isso. É claro que é mais fácil justificar suas atitudes dizendo que você está lutando pela sua liberdade. Mas não acho que, por isso, você deva minimizar as conseqüências.
FOLHA – O sr. pretendeu fazer um filme antiaborto?
MUNGIU - Não acredito em educação impositiva. O filme mostra a história, com todos os seus lados. Não toma partido.
FOLHA – Parte da crítica desaprova sua opção de exibir a imagem do feto. Por que optou por ser explícito?
MUNGIU - Quando escrevi o roteiro, não tinha certeza se iria ou não mostrar essa imagem. Na edição, havia alternativas. Mas, pelo modo como fizemos esse filme, percebi que a coisa mais desonesta que eu poderia fazer com o espectador seria não deixá-lo ver o mesmo que a personagem via naquela hora. Todo esse filme foi feito tentando evitar a idéia de manipulação. Buscamos um estilo em que o nosso ponto de vista, da equipe que filmava, não se impusesse como intermediário entre a história e o espectador.
FOLHA – A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood rejeitou a candidatura de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Doeu?
MUNGIU - Quando você tem expectativas, dói [a derrota]. E nós tínhamos expectativa, por puro desconhecimento de como as coisas funcionam em Hollywood. “4 Meses…” teve grande atenção da imprensa nos EUA e foi apontado por muitos críticos de lá como o melhor filme estrangeiro do ano. Pensávamos que havia uma relação entre o gosto dos jornalistas americanos e o gosto dos membros da Academia. Não há.
FOLHA – O sr. costumava dirigir comerciais na Romênia. Ainda faz esse tipo de trabalho?
MUNGIU - Desde Cannes não dirigi mais comerciais, não porque eu tenha decidido parar de fazer isso, mas por absoluta falta de tempo. “4 Meses…” foi vendido para 60 países, e eu priorizei o trabalho de promovê-lo. Afinal, não esqueci por que fiz esse filme: eu ia ao cinema, detestava os filmes e tinha vontade de fazer um filme que as pessoas fossem gostar de ver.
FOLHA – Quais eram os filmes que o sr. via e detestava?
MUNGIU - Eram filmes de todos os gêneros. O que odeio são filmes pretensiosos, complicados, chatos. Não acho que um filme tenha que fazer o espectador querer sair da sala, mas sim deixá-lo grudado na cadeira.
FOLHA – Qual é sua relação com o cinema brasileiro?
MUNGIU - A última coisa que vi foram os três minutos da contribuição de Walter Salles para [o longa coletivo em homenagem aos 60 anos do Festival de Cannes] “Cada um com seu Cinema”. Gosto de “Cidade de Deus”, um filme forte, poderoso e, que eu me lembre, o único filme brasileiro que passou na Romênia nos últimos dez anos.
Campanha do IPHAN pela recuperação de bens roubados do patrimônio nacional
quinta-feira, 3 janeiro, 2008 às 14:55 | Publicado em Cultura e Artes | Deixe um comentárioTags: catolicismo, cultura, Sociedade
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está empreendendo desde outubro de 2007 uma campanha para mobilizar a população na busca pelos bens culturais. A Campanha pela Recuperação de Bens Procurados será veiculada em cadeia nacional de televisão, convocando o público a consultar, no site www.iphan.gov.br, o banco de dados de peças subtraídas do patrimônio brasileiro. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (21) 22621971, fax (21) 25240482, pelo e-mail bcp-gemov@iphan.gov.br, ou no próprio banco online. A campanha faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas, com vários parceiros, com objetivo de coibir o tráfico de bens culturais, recuperar e devolver aos locais de origem os bens culturais tombados, que foram extraviados, furtados ou roubados.
O filme da campanha pode ser visto no link abaixo:
http://portal.iphan.gov.br/files/filme.html
Paz e Bem!
Cap. Nascimento: herói nacional?
sexta-feira, 26 outubro, 2007 às 13:04 | Publicado em Cultura e Artes | 1 ComentárioUm dos assuntos preferidos, ultimamente, entre os cultos, comentaristas, jornalistas, editorias, cronistas, e até mesmo blogueiros da internet (como eu), é a adoção do personagem fictício, o Capitão Nascimento de Tropa de Elite, por parte dos brasileiros como o mais novo herói nacional.
Já li por aí gente criticando a população por não saber separar ficção de realidade. Isso é notório, e não é fato novo. Isso já aconteceu antes, quando houve a “moda” de O Código da Vinci. Quanta gente não leu o livro e passou a enxergar a Igreja Católica com outros olhos, ignorando que tudo o que havia lido era ficção? O quê não dizer então de um filme, que no Brasil é um tipo de mídia que tem um alcance muito maior entre todas as classes sociais do que livros – principalmente na era da pirataria?
Não acho que o fato de não separar a ficção da realidade seja o problema. Vários personagens fictícios já se tornaram heróis populares ou, ao menos, populares. Há inclusive os descartáveis, ou seja, os de novela, que meses após o último capítulo são esquecidos, com exceção dos mais folclóricos, que são ainda lembrados anos depois. Mas como disse, não acho que o problema seja o fato de não separar ficção da realidade. O que é interessante observar é que a adoção do Capitão Nascimento como herói popular pode ser um sinal. A leitura desse “fenômeno social” pode nos revelar sintomas de muitas coisas, por exemplo, de como a população está insatisfeita com a corrupção na polícia em alguns estados; de como a população enxerga os traficantes de drogas e de como gostaria que fossem tratados; o próprio fato de obter informações através da tortura é sintomático. A população parece ver na tortura um método válido para a polícia combater o crime. De certo não se pode ver os bandidos como “seres humanos” que são, uma vez que do outro lado não há a mesma força intelectual pedindo o mesmo. Do nosso lado, temos intelectualóides que defendem bandidos (uso como exemplo o “mano” Ferrèz, que escreveu em defesa do bandido que assaltou Luciano Huck).
Enfim, o que eu tinha a dizer era exatamente isso: ao invés de criticar a população por adotar como herói um personagem fictício, eu prefiro tentar buscar compreender o que esse “fenômeno” tem pra nos dizer…
Sinto Vergonha de Mim
segunda-feira, 17 setembro, 2007 às 11:08 | Publicado em Cultura e Artes, Política | 1 ComentárioSinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.
Cinema surrealista é massa!
quinta-feira, 21 abril, 2005 às 3:15 | Publicado em Cultura e Artes | 1 Comentário
Há muito tempo sou fascinado pelas obras de Salvador Dalí. Sempre achei seus quadros de uma profundidade avassaladora, do tipo que te arrebata e te prende, pasmo, por vários minutos a fio, observando cada detalhe de cada centimetro da obra. Você mergulha na obra pra tentar entendê-la e não consegue, o que te motiva a perder mais alguns minutos tentando, e tentando…
Há pouco tempo, freqüentando algumas comunidades de cinéfilos no Orkut, soube da existência da vertente surrealista no universo da sétima arte: o cinema surrealista, com nomes como Luís Buñuel, David Lynch, Jean Cocteau e outros. Destaque para Luís Buñuel por ser considerado pai desta vertente, tendo produzido filmes surrealistas clássicos, como Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, 1928), em parceria com o próprio mestre Dalí.
Os filmes, como as obras de Dalí, são daqueles que não foram, de forma nenhuma, feitos pra se compreender, mas pra se admirar e refletir. Cenas desconexas, sem significado lógico, mas com uma profundidade que motiva o espectador a buscar seus próprios significados, filmes como Twin Peaks e Estrada Perdida (Lost Highway), ambos de David Lynch, além de serem ótimos pra “introduzir” não-iniciados na arte do cinema surrealista, acabam produzindo sentimentos próximos da revolta em pessoas que os assistem sem terem uma certa predisposição à apreciação de arte surrealista. Sei disso porque fiz a experiência de assistir aos filmes com minha noiva, minha irmã e meu pai, que levantou-se do sofá antes de terminar Um Cão Andaluz, que tem menos de 16 minutos! =P
Mas enfim, se você, como eu, é fascinado pelas obras do mestre Salvador Dalí, assista aos filmes. Será satisfação garantida! =]
Music On The Web
segunda-feira, 18 abril, 2005 às 12:52 | Publicado em Cultura e Artes | 1 ComentárioPra quem é teimoso e >ainda< não acredita que a internet possa revolucionar o mercado fonográfico (e outros), e a forma como encaramos hoje a música, os artistas e as formas de arte, conheça este website.
Blog no WordPress.com. | Tema: Pool até Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.





